vox populi

terça-feira, 6 de novembro de 2007



Pausa


Somos vestibulandos, uma hora esse fato atrapalharia e muito a nossa vida. E essa hora chegou. Devido aos vestibulares que 3/4 da Equipe fará nesse mês, em dezembro e em janeiro, o Vox Populi encerra suas atividades esse ano mais cedo do que pretendido.

Nossa perspectiva para a retomada das atividades do blog é em janeiro de 2008, após todos os vestibulares terem passado. É melhor fazer essa pausa para que o conteúdo do blog não fique comprometido, com posts ruins e feito às pressas, durante um intervalo de estudo ou viagem para outras cidades.

Ocasionalmente postaremos reflexões, citações, charges, vídeos, etc., por aqui, e você é muito bem-vindo a comentar neles! Aproveitamos para agradecer a todos os que leram nossos posts e neles comentaram. As opiniões dos leitores foram, são e continuarão sendo, sempre, muito importantes para nós!


Um grande abraço,


Equipe Vox Populi

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Raivane - 20:31 |

quarta-feira, 31 de outubro de 2007



"Quando for consumido o fruto da última árvore e envenenado o último rio, o homem descobrirá que não se come dinheiro"
Carlos Drummond de Andrade


Quanta verdade, em apenas uma frase! Há muitas pessoas que estão otimistas quanto ao futuro, quanto ao que vai acontecer, dos avanços e dos inventos. Outras, não, pelo contrário; se preocupam com a água que acabará em menos de 20 anos, do efeito-estufa, da poluição, das plantas, da vida.
Nós estamos vivendo muito bem, com altos e baixos, mas bem. Temos uma medicina avançada com cura para muitas doenças, temos conforto, notícias que se espalham mais rápido que fofoca em cidade pequena; enfim, temos tudo.
Como se não bastasse, não aproveitamos. Não como deveríamos. Ocorrem grandes queimadas, poluição dos rios, das praias, do ar. Temos que nos preocupar com a extinção, com a nossa comida.
Em muitos filmes, como "Um dia depois de amanhã", "Guerra dos mundos", entre outros do gênero, vemos o que está "previsto para nosso futuro"; e, olha que legal: não ligamos. "Poxa, que filme legal! Que bem feito! Gostei!"
Talvez, e provavelmente, não estaremos para ver o comércio de água, de ar, de vidas que haverá daqui algum tempo, se continuarem as coisas como estão. Mas, nossos filhos, netos, pessoas que não conhecemos e nem vamos conhecer, participarão disso. E, bom, elas não poderão fazer nada. E a culpa não vai ser delas. Será nossa.




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Kah - 19:43 |

segunda-feira, 29 de outubro de 2007




Seguindo o coelho branco

NOTA. Este é o maior post que já fiz para o Vox Populi, e talvez seja o único deste tamanho. Tentei organizar as infomações do modo mais dinâmico possível, para que a leitura não se tornasse cansativa. Há muitas idéias contidadas nesse post, todas elas devidamente explicadas e organizadas segundo o assunto do qual tratam. Caso haja alguma dúvida acerca dessa teoria sobre a sociedade e o mercado, os comentários estão aí. Boa leitura!

"A Matrix pegou você". Isso quer dizer, em plavras enigmáticas, que há uma ligação real entre o seu ser e uma super-estrutura que coordena aquilo que você é (ou aparenta). Em nosso Universo, ao que tudo indica, não existe uma Matrix que possa ser compreendida como a do filme de mesmo nome. Aparentemente.

Mercado¹ é uma das palavras de que menos gosto. Sozinha, não tem significado algum para mim, nem transmite a complexidade e o alcance daquilo que significa. Sou a favor de, em português, o mercado passar a se chamar "matriz". Tenho algumas justificativas para apresentar aos gramáticos e puristas da linguagem, caso algum deles crie caso:
ARGUMENTO 1. Seria muito mais interessante ver, ouvir e ler notícias como "A matriz está em recessão" ou "A matriz reagiu ao recente aumento do preço dos barris de petróleo".

ARGUMENTO 2. O mercado, como a Matrix cinematográfica, "está em toda parte". Na verdade, ele é a nossa Matrix (então, sim, ela existe neste Universo). Tenho mais justificativas a favor do Argumento 2. Vejamo-nas:

A) O mercado faz parte d'O Sistema², é um dos mecanismos utilizados nele para
"facilitar" nossas vidas. Teoricamente o Sistema rege nossa Matrix, mas quem é
realmente responsável por ela, por sua existência e manutenção, é a sociedade. Se a sociedade faz o mercado, onde ela está presente, ele também pode ir.

B) Toda a PES (política, economia e sociedade) depende do mercado, atualmente, para existir. O capitalismo, por exemplo, nada mais é que um dos mecanismos do
mercado, sua organização sobre uma base monetária.

C) "O capital é o único monarca"³ da humanidade. Um monarca, teoricamente, tem poder sobre todo o seu reino. Logo, está em todos os lugares. Se o capital serve ao mercado, temos aí nossa justificativa para sua onipresença.

ARGUMENTO 3. Estamos plugados à matriz-mercado e somos dependentes dela a tal ponto que toda a nossa vida depende de sua existência e daquilo que ela provê: nosso sustento, nossa satisfação pessoal, etc. Assim também se encontravam os seres-humanos que, na trilogia Matrix, estavam conectados à simulação homônima.
São esses os meus argumentos para minha proposta de troca do termo mercado. É inegavelmente verdade que permitimos que o mercado nos governe, seja nosso monarca, dite as regras de nossa existência. Por quê? Essa é uma questão essencialmente psicológica. Minha resposta para ela é simplória e, talvez, até mesmo insatisfatória, mas arrisco-me, mesmo assim, a responder:
"A exemplo de uma máquina comum (um eletrodoméstico, talvez), precisamos de dois tipos de energia para operarmos. A máquina necessita de força mecânica, elétrica, térmica, etc., e também da nossa, de nossas ordens ou programações. Já nós necessitamos da 'energia biológica' e da programação inerente à nossa própria espécie. Só que, assim como as máquinas (ainda) não podem se auto-programar de modo funcional, também nós não podemos".
Quê?! Esse é o ponto. Simplesmente não conseguimos nos isolar do meio para que possamos escrever nosso próprio Programa_de_Vida.exe. Ao longo do tempo, apenas fomos condicionados a aceitar as diretrizes d'O Sistema como nossas próprias. Nos tornamos prolongamentos de uma realidade virtual (pois todo Sistema é baseado em um conjunto de leis e regras globais não-naturais, criadas para manter a ordem social. Nota: não se questiona aqui a importância dessas regras). O Sistema, imaterial, se manifesta através de nós, nossa mente e corpo. Somos suas mãos - suas únicas mãos.

Em nós, ele se manifesta, primariamente, na necessidade compreensível e necessária de nos organizarmos em grupos sociais. Não, o Sistema não é um erro ou aberração em sua essência. O problema reside em sua manifestação secundária: através daqueles que nele vivem e são alimentados pelas suas diretrizes (muitas vezes, aparentemente apenas por essas). O que deveria ser um modo dinâmico de interação social tornou-se, quem sabe, o vírus-mor da humanidade. Estou falando do mercado.

Das interações sociais foi que surgiu o mercado, que adaptou o Sistema, pré-existente, a si, e não o contrário. Leia-se "a economia engoliu a sociedade". O que você acredita que isso ocasionou? Exato: a desvinculação d'O Sistema de suas bases sociais originais, a sobrepujança (cruzes) do valor econômico sobre o valor social. Bingo! Você acabou de encontrar a origem de todos os males, a soma de todos os medos, a sombra e a escuridão, a queda e todos os outros nomes de filmes que remetem não ao capitalismo, mas, sim, ao capitalogos, à doutrina do capital que se sobrepôs à razão, à lógica social.

Gosto de chamar o mercado de matriz pois, além dos três motivos anteriormente apresentados, como a Matrix do cinema, ele se superpõe à realidade. Vivemos, hoje, em um mundo ideal, fechados na redoma em que o mercado nos prendeu (logicamente, para se expandir às custas de nosso exacerbado consumo). Somos como os prisioneiros da caverna de Platão.

Mas, então, o que é real?

Realidade é isto:

Esses são exemplos de seres-humanos que vivem à margem ou fora do mercado, da nossa matriz. Não porque querem, mas sim pois uma série de fatores conduziu-os a essa realidade. São os desplugados, ou exilados.

Pergunto: aonde você quer estar, jundo dos exilados ou dentro da matriz? Como eu, creio que você não gostaria de se desplugar, não adianta fugir dessa verdade. Para quê? Para passar fome, viver em mínimas condições de sobrevivência? E o pior: sem nenhuma perspectiva de mudança de vida para você e os demais desplugados.

Algo que devemos ter é mente é que os missionários, as ONGs e todos aqueles que, com ideais filantrópicos, saem em auxílio desses exilados, são, na verdade, em sua esmagadora maioria, agentes da matriz. Buscam incluir, mesmo que com bons propósitos, os exilados no mercado. Realmente, ele está em toda a parte.

Onde está o erro na caridade? Não está, pois não existe. Platonicamente, a idéia caridade é perfeita. A versão 3.0 (e posteriores) da matriz-mercado foi que a arruinou.

Ir até onde há miséria e sofrimento praticar caridade é perfeitamente compreensível e necessário. A falha do ato reside em como ele é praticado, em seus, chamemos assim, ideais ocultos. Veja:
QUESTÃO. Por quê (re)incluir os desplugados no mercado?

( ) A) Para que eles melhorem suas condições de vida;
( ) B) Para que se integrem à sociedade global;
( ) C) Para que acompanhem o desenvolvimento do restante do globo;
( ) D) Para que sirvam de mão-de-obra ou corpo-de-consumo a ele.

RESPOSTA: Aos olhos dos filantropos, as alternativas A, B e C estão todas corretas, pois esses são, muitas vezes, o objetivo dos mesmos. Já para aqueles que se permitem enxergar o mercado como uma equação que engloba todas as outras equações (a política, a sociedade, etc.), a alternativa correta (considerando-se apenas os objetivos do mercado) é a de letra D.
Esse ideal de garantir "carne fresca" à nossa Matrix não pode ser tido como pertencente aos capitalistas, industriais, banqueiros ou outras classes sociais abastadas. Essa é uma idéia característica de todos nós, consciente ou subconscientemente.

Cegamente acreditamos no mercado e o vemos como solução única para todo e qualquer tipo de mazela social, afinal de contas, se funciona para nós, há de funcionar para os exilados também! Mas quem disse que funciona para nós? Para mim, algo funcional deve, necessariamente:
  1. Atender a todas as necessidades daquilo que suporta;
  2. Ser acessível a tudo aquilo que suporta;
  3. Uma vez proposto como solução a uma questão qualquer, deve fornecer a solução necessária.
Se esse determinado algo não está de acordo com essas três regras é porquê não funciona e deve ser substituído por uma alternativa eficiente o mais rapidamente possível. O fato é que o mercado simplesmente não atende a essas regras: não abrange a totalidade das sociedades em que está presente para que lhe seja oferecida a possibilidade de sobrevivência e evolução; nem todos os seres-humanos possuem acesso a ele se não seguirem o modus vivendi por ele imposto; não soluciona a questão da troca de bens, muitas vezes sofrendo convulsões provocadas não por alterações em suas leis mais básicas, mas sim por informações e suposições falhas.

Então, que fazer? Obviamente, a meu ver, a matriz-mercado deve ser desligada, todos devemos nos desconectar da influência arrasadora do capital, do marketing, das sociedades de consumo. Viveremos sem um sistema econômico, então? Não. Ninguém deve tirar os méritos da economia, responsável por diversos avanços políticos, sociais, econômicos e ambientais promovidos e sofridos por nossa espécie.

Então, novamente, temos a pergunta: que fazer? Siga o coelho branco da liberdade, expanda sua mente. Saia da matriz. Exato, seja um desplugado, um exilado! Se há alguns parágrafos atrás afirmei que tornar-se um desplugado não colabora em nada para a melhoria da condição dos mesmos e de nós próprios, agora, após discutirmos mais profundamente o mercado, podemos concluir que só o compreendemos quando nos permitimos ver "de fora" aquilo que ele é. Há de concordar que se torna mais fácil subjugar aquilo que conhecemos.

Sair da matriz não significa abandonar sua cidade ou país e passar a levar uma vida errante, mas sim ter consciência dela e, na medida do possível (ou sempre), evitá-la, combatê-la, mesmo que seja de modo silencioso e isolado. E também unir-se aos outros desplugados, formando uma verdadeira Resistência à matriz.

Esse será o início da possível revolução 5.0 do mercado-matriz, em que ele será substituído por um novo tipo de relação econômica, que será guiada não pela preocupação com o capital, mas sim com o social. A moeda servirá à sociedade, não o contrário, e será valorizada conforme a condição de vida, o índice de desenvolvimento, das sociedades também se valorizar.

Chamo essa idéia de Teoria Sócio-econômica do Valor Social, ou NEO (Nova Economia Organizada), para os mais íntimos. Alguns insistem em chamar de socialismo. Não é, pois ela funciona como adendo ao sistema político, não como substituta desse.

Com a finalização da matriz e a adoção dessa nova idéia, haverá uma restauração d'O Sistema a, praticamente, sua forma original. É um processo de teoria complexa, mas de fácil execução. A única dificuldade é convencer as pessoas de que o atual mercado é ruim para a humanidade com um todo. Difícil, mas não impossível, nunca impossível.

Permita-se, hoje, ver até onde vai a toca do coelho. Tome a pílula vermelha.


"O mundo é mais do que parece"
Lema do Blog Vox Populi


VEJA AQUI AS DIFERENTES VERSÕES D'O SISTEMA



¹ Economia - Conjunto de atividades de compra e venda de determinado bem ou serviço, em certa região. [Fonte: Dicionário Aurélio Eletrônico - Século XXI]

² "O Sistema", abordado mais uma vez neste artigo, é considerando como sendo a conjuntura política, econômica e social histórica e atual das sociedades humanas.

³ Cf. Thomas Füller (1608-1661), escritor inglês.


Tema: Mercado

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Raivane - 13:33 |

domingo, 28 de outubro de 2007




O tema


Esta semana iremos falar sobre Mercado.


O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza.

Carlos Drummond de Andrade


Só o Dinheiro é o Bem Absoluto


Numa espécie tão carente e constituída de necessidades como a humana, não é de admirar que a riqueza, mais do que qualquer outra coisa, seja tão estimada e com tanta sinceridade, chegando a ser venerada; e mesmo o poder é apenas um meio para chegar a ela. Assim, não é surpreendente que, objectivando a aquisição, todo o resto seja colocado de lado ou atirado para um canto. Por exemplo, a filosofia pelos professores de filosofia.

Os homens são amiúde repreendidos porque os seus desejos são direccionados sobretudo para o dinheiro e eles amam-no acima de tudo. Todavia, é natural, e até mesmo inevitável, amar aquilo que, como um Proteu infatigável, está pronto em qualquer instante para se converter no objecto momentâneo dos nossos desejos e das nossas necessidades múltiplas. De facto, qualquer outro bem só pode satisfazer a um desejo, a uma necessidade: os alimentos são bons apenas para os famintos; o vinho, para os de boa saúde; os medicamentos, para os doentes; uma peliça, para o inverno; as mulheres, para os jovens, etc. Todos eles, por conseguinte, são meramente bons para algo, ou seja, apenas relativamente bons. Só o dinheiro é o bem absoluto, porque ele combate não apenas uma necessidade in concreto, mas a necessidade em geral, in abstracto.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

uas opiniões diferentes sobre o dinheiro, um dos "mecanismos de sobrevivência" do mercado. Drummond é categórico ao afirma que dinheiro é dinheiro, e riqueza é riqueza: posse não é sinônimo de realização. Já Schopenhauer, que inicialmente parece criticar o amor dos homens para com o dinheiro, defende-o no fim de seu texto. Quem estará com a razão? O que será realmente o mercado e quais os poderes dele sobre nós? Esta semana essas e outras perguntas serão respondidas aqui, no Vox Populi!


Filme da semana


Essa semana nós indicamos a trilogia Matrix (Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions), com Keanu Reeves, Hugo Weaving, Laurence Fishburne e Carrie-Anne Moss. Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Em todas essas ocasiões, acorda gritando no exato momento em que os eletrodos estão para penetrar em seu cérebro. À medida que o sonho se repete, Anderson começa a ter dúvidas sobre a realidade. Por meio do encontro com os misteriosos Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade.


Fonte: AdoroCinema.com.br

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Raivane - 20:31 |

sexta-feira, 26 de outubro de 2007




Homenagem àqueles cujas lágrimas já secaram

“O homem verdadeiramente bom procura realçar o inferior aos seus próprios olhos, diminuindo a distância, entre ambos.”




A fraternidade talvez seja a manifestação do amor mais puro que temos conhecimento nos dias atuais. Abdicar de nossos próprios interesses com o único intuito de auxiliar o próximo, é uma atitude sublime, porém pouco praticada dentro desta sociedade extremamente individualista a qual fazemos parte.

A foto acima ilustra uma situação conhecida por todos nós: a fome, principal causadora de mortes em algumas regiões do mundo. Todos os dias milhares de pessoas morrem nessa situação. Corpos esqueléticos são enterrados em pequenas covas no meio do nada.

Enquanto isso ocorre, o mundo permanece apático. Somos capazes de gastar milhões de reais, financiando guerras inacabáveis, que apenas causarão mais morte e sofrimento, ao invés de fornecer ajuda humanitária a países como a África, por exemplo.

Precisamos universalizar nossos sentimentos, não importa de onde somos, seja a China , Brasil ou Estados Unidos, todos nós somos seres humanos, todos nós sonhamos, tememos e ansiamos por alguma coisa.

Não fechemos nossos olhos para a injustiça social, não consideremos normal aquilo que acontece todos os dias1. Sejamos humanos.

1 Adaptação de uma frase de Bertolt Brecht


Pensamento/Reflexão

O Amor pelo Outro

Os filósofos e os próprios teólogos distinguem duas espécies de amor, a saber, o amor que chamam de concupiscência, que não passa do desejo ou do sentimento que se tem por aquilo que nos dá prazer, sem que nos interessemos se ele está a receber amor; e o amor de benevolência, que é o sentimento que se tem por aquele que, pelo seu prazer e sua felicidade, nos dá amor. O primeiro faz-nos visar o nosso prazer, e o segundo, o prazer do outro, mas como se fizesse, ou melhor, constituindo o nosso; pois, se não tornasse a cair sobre nós de alguma maneira, não poderíamos por ele nos interessar, porque é impossível, seja o que for que digam, nos desapegarmos do nosso próprio bem.

Wilhelm Leibniz, in 'Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano'

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Juliana - 10:23 |

quarta-feira, 24 de outubro de 2007


Quando falamos em 'fraternidade no meio ambiente', a única coisa que me veio à mente é aquele grupo, ou melhor, aqueles grupos que promovem campanhas para salvar o que nós, humanos, parecemos insistir em destruir. Para quem não se interessa muito sobre o assunto, ou não tem conhecimento sobre, há vários sites que, com apenas um clique por dia, você está ajudando.


Sim! É fácil, bem fácil, e quase ninguém faz. Há sites que só de você entrar nele, pronto! Já ajudou um animalzinho.


Quer um exemplo? PEA. Quer outro? WSPA Brasil. PRAVI. Se quiser ver mais, procure no Google, tem vários deles.


Mesmo aqui no Vox Populi, ali do lado direito, há links desse gênero.


Não há nada de errado colocar 'a mão na massa'. Você não precisa participar de nenhum grupo para ajudar o meio ambiente.

Imagine que você está viajando, passeando, e vê que um trecho da mata está pegando fogo. O que custa pegar o celular, ou parar num posto próximo, e ligar para avisar isso?

Ajudar é tão fácil que ninguém faz. Então, provem-me que estou errada. Prove para si que nós temos jeito.

Depende de nós
Quem já foi ou ainda é criança
Que acredita ou tem esperança
Quem faz tudo pra um mundo melhor
[...]
Depende de nós
Se este mundo ainda tem jeito
Apesar do que o homem tem feito
Se a vida sobeviverá

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Kah - 22:56 |

terça-feira, 23 de outubro de 2007





Nosso amor de cada dia


Quê, há amor na política? Bem, é provável, mas não é disso que quero falar. Tá certo, mas o "nosso amor de cada dia" ali em cima não deixa dúvidas de que é sobre amor esse artigo. É, é sim sobre amor, mas não aquele tipo de amor de amantes, mas o amor que temos para com o que gostamos. Oras, e não é a mesma coisa? Bem, falando assim até parece que é, mas, se você é daqueles que divide o amor, há de concordar que a espécie de amor que temos por um dever difere (talvez não em intensidade, mas em características) do tipo de amor que temos por um irmão, cônjuge ou filho. Certo, mas de que amor estamos falando, então? Aquele que sentimos quando pensamos n'O Sistema. Êpa! Alerta de ideologia! Não, não é sobre o que alguns chamam de sistema-capitalista-que-oprime-todo-mundo que falo, mas sim sobre a conjuntura da PES (política, economia e sociedade) do globo, que gosto, geralmente, de denominar de "Sistema".

Amamos o Sistema? E como amamos! Ah, sim, agora entendi. Mas e a fraternidade? Bem, ela entra na questão do nosso amor ao modo de vida que nos cerca e no que ele implica para outrem. E o que ele implica? Geralmente, amamos mais o que as instituições de nosso país (e outros países também) têm a nos oferecer do que aquilo que nosso próprio semelhante nos oferece. Explique. Ok, vou dar uns exemplos:

A) Fraternidade significa viver em harmonia com aqueles que nos rodeiam, nossos concidadãos. Fazemos isso ou, seguindo a velha "doutrina" de nossa sociedade, expurgamos de nossas ruas, bairros e cidades aqueles que são julgados menos aptos, quer seja para o trabalho, a moralidade ou a intelectualidade? Leia-se somos demasiadamente preconceituosos em relação à raça, classe social, etc.

B) Fraternidade significa contribuir para o crescimento de nossos irmãos. Não digo dar dinheiro a quem precisa, pois isso não passa de assistencialismo, mas sim fornecer oportunidades para o crescimento daqueles que carecem de ajuda. Dar a vara de pesca, não o peixe¹, parabolicamente falando. Claro que não estou condenando aqui entidades filantrópicas que tratam de certos tipos de carências sociais (doenças, fome, etc.), mas sim aqueles programas, geralmente governamentais, que destinam a dar verba em vez de emprego. Não é melhor remunerar alguém pelo fruto de seu trabalho? Afinal de conta, com isso o cidadão pode crescer no emprego, e estará livre dos vícios que uma vida ociosa e sem perspectiva proporciona.

C) Fraternidade significa se preocupar com a condição do outro. Política, a ciência cuja 3ª definição do dicionário Aurélio para ela é: "Arte de bem governar os povos." É a política, a gerência do Estado (por obrigação constitucional), juntamente com o restante da sociedade (por obrigação moral), que deveria se preocupar com a condição de vida dos cidadãos de uma nação. Isso acontece? De uma forma bastante reduzida regionalizada, sim, mas não é o bastante. É preciso mais, pois aqueles que precisam de nossa ajuda são mais, não o menos que estamos acostumados a enxergar.

E amamos a tudo isso, você diz? Exato. Olha, eu não sei quanto a você, mas eu não gosto de nada do que você disse! Gostar não é amar, mas sim aceitar. E eu digo que não aceito nada disso! Por sua vez, aceitar não é compactuar, mas ser condescendente com algo, "se fazer de cego". E eu faço isso? Involuntariamente (ou não) todos nós fazemos. Quando deixamos de lado os problemas alheios que são mais urgentes que os nossos para atender única e exclusivamente ao nosso ego, estamos aceitando o pouco que o Sistema tem a oferecer aos nossos semelhantes. Quando deixamos que aqueles que precisam fiquem sem ajuda, estamos aceitando cegamente as mazelas que nos cercam. Quando... Já entendi! Você vem com aquele discurso de que "as coisas estão ruins porquê a sociedade é ruim"! Não disse nada disso, Sociedade a gente discute às quintas-feiras. Você está isentando a sociedade de culpa, então?! Também não. O que digo é que, sim, a culpa é nossa, que temos uma condição de vida melhor e não olhamos para aqueles que estão, socialmente, "abaixo" de nós. Mas não culpo, com essa minha fala, a classe "média" ou "alta" [repare nas aspas, elas são importantes]. Veja isso:

CLASSE "ALTA"
|
CLASSE "MÉDIA"
|
CLASSE "BAIXA"

Esse é um esquema que representa as classes sociais como estamos acostumados a entendê-las, compreendeu? Claro, né?! Agora, entenda que, se a classe "alta" deve se preocupar com a "média" e com a "baixa", a "média" deve se preocupar com a "alta" e com a "baixa", que por sua vez deve se preocupar com a "média" e com a "alta". Não seria mais fácil você dizer que "todas se preocupam com todas"? Sim, mas agora eu já falei. O que você deve perceber é que não se trata de "rico tratando de pobre", mas sim de "gente tratando de gente", independentemente da classe. Todos devem se preocupar com todos. Logo, a culpa não é de uma das camadas, mas de todas elas... é isso? Sim, é isso!

Como fazemos, então, para renegar essa herança-presença d'O Sistema, das classes sociais...? Política, meu amigo. Ah, aí é que a gente vai amar a política? Santa Maria! Não! Ei, mas você não explicou essa do amor, logo não há como eu compreender! Tá certo, tá certo... vamos lá. Você ama o que está acostumado a viver, ama o Sistema em que nasceu e foi criado, pois só conhece a ele e a algumas poucas tendências de "transgredi-lo", que não funcionaram lá muito bem (não estou falando do socialismo, mas sim da filantropia, da fraternidade sem interesses escusos). O que devo fazer é deixar de amar meu "amor de cada dia"? É o que sugere? Exatamente. Esse nosso amor de cada dia, essas idéias que se arraigaram em nossa mente acerca dos menos favorecidos monetariamente, daqueles que não compartilham a mesma etnia conosco, ou a mesma crença, são um atraso gigantesco em nossa evolução tanto política quanto econômica e social (olha a PES aí de novo!), e devem ser eliminadas de nosso ideário impiedosamente.

Compreendo... só para finalizar, "O Sistema", então, nem sempre é bom? Na verdade, o Sistema não é bom nunca, bons ou não são aqueles que dele fazem parte, que o controlam, o modificam. Bons ou não são nossos governantes, somos nós, a sociedade. O Sistema não passa, na verdade, de um reflexo daquilo que nos permitimos ser.

O homem não é nada mais do que aquilo que faz a si próprio.

Jean-Paul Sartre, filósofo francês

Então, faça de si mesmo o que se espera de um homem: que não seja mais do que aquilo que pode ser, mas também não menos que a soma de sua natureza, do peso de suas obrigações para com si próprio e para com os seus.


¹ O artigo de Stephen Kanitz indicado pelo link trata brilhantemente do assunto assistencialismo e filantropia. Para a compreensão do tema é indispensável a leitura do mesmo, além da de demais textos que abranjam o tema.

Tema: Fraternidade

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Raivane - 20:24 |

domingo, 21 de outubro de 2007




Semana passada



Nessa segunda semana de postagens o número de leitores do Blog aumentou, o que nos deixou bastante animados para continuar o projeto. Mesmo assim, ainda estamos tendo um baixo número de comentários. Faz-se necessária uma grande participação dos leitores, para que os idéias de discussão dos temas por nós propostos seja alcançado.

Continuem acessando o site e comentando os posts e aguardem, pois, em breve, teremos novidades para mostrar!


O tema

Esta semana iremos falar sobre Fraternidade.


Fechando os três temas da Revolução Francesa, essa semana abordaremos a Fraternidade. Cada um tem sua própria idéia sobre ela, mas o que, definitivamente, é Fraternidade? Ou melhor: será que ela possui apenas uma definição?

"Fraternidade significa entender que um grito de dor é igual em todas as línguas, e o mesmo se aplica a um sorriso".

Dadi Janki

Uma das definições do dicionário Aurélio para a palavra é: "União ou convivência como de irmãos; harmonia, paz, concórdia, fraternização." Nós desejamos que cada um dos leitores pense em sua própria definição do termo e veja se, segundo ela, ele vive uma vida fraternal. Se sentir-se à vontade, comente sua conclusão neste post.


Filme da semana


O filme da semana é O Último Rei da Escócia (vencedor do Oscar de Melhor Ator - Forrest Whitaker), com Forrest Whitaker. Não é um filme que fala sobre fraternidade, mas aborda, digamos, o espírito anti-fraternal (leia-se ditatorial) de alguns governantes, como, no caso do filme, Idi Amin. O interessante em assistir ao O Último Rei da Escócia é reparar em como funciona a mente de um ditador. Obviamente que o então presidente de Uganda massacrava boa parte da população do país, mas por trás dessa faceta de ditador sangüinário o filme mostra que há também um homem como uma personalidade infantil e com dúvidas acerca de quase todos aqueles ao seu redor. Parece ser esse o cotidiano de um governante-ditador: a desconfiança, o medo, sobretudo, de ter o poder tirado dele. Não se parece um pouco com nossos dramas pessoas do dia-a-dia? De um modo ou de outro, temos medo que o poder que temos de controlar nossa vida, de fazer nossas próprias decisões, nos seja tirado. Fica aí a dica de um bom filme com excelentes atuações!

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Raivane - 18:48 |





Aquele que, ao longo de todo o dia é ativo como uma abelha, forte como um touro, trabalha como um cavalo, e que ao fim da tarde se sente cansado como um cão... Deveria consultar um veterinário, é bem provável que seja um grande burro. (Autor Anônimo)


Apesar de toda a minha hostilidade para falar de igualdade econômica (algo que não acredito nem num mundo imaginário de fadas e duendes), existem ótimos exemplos atuais do que isso pode proporcionar. Veja Cuba de Fidel, são todos igualmente pobres... Claro que não! Se o salário médio de um cubano é de 4 mil dólares, como podem ser pobres? Bom, lembrem-se dos Estados Unidos, o país da liberdade e esqueçam Cuba então! Vamos falar de um país que propõe a igualdade econômica para si mesmo, e APENAS para si mesmo. Tem alguma idéia de qual seja? Duas chances para adivinhar. Se você respondeu EUA, parabéns, você está errado! Na verdade, a igualdade econômica é um assunto que só interessa àqueles que a querem para si. Quando se trata de expandir esses direitos para o resto do mundo, não há quem tenha voz. Portanto, se algum dia você chegar a ser um líder político de um país, verá que seu interesse maior é aquele que beneficia o seu país, independentemente de estar fodendo com algum outro.
Ponto final.




Tema:Igualdade

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Diogo - 01:10 |

São quatro os autores deste blog. Nesta seção você pode conhe- cê-los e contatá-los. Aqui você encontra um rápido perfil de cada um, além de uma frase que caracteriza o autor, escolhida por ele.


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O objetivo do Vox Populi é propor novas idéias e caminhos à sociedade visando a construção (por parte de todos) de um mundo mais digno para todos os seres-humanos e demais espécies.

Através de discussões sobre os mais variados temas, dos ideais da raça-humana à preservação do meio-ambiente, e inclusão de propostas viáveis feitas pelos leitores no balanço geral desses debates, o Vox Populi visa criar um condensado de idéias compartilhadas por um grupo cada vez maior de pessoas que possam realmente solucionar os mais variados problemas mundo afora, tais como crises energéticas, divergências religiosas, aquecimento global, entre outros. Desse modo, desejamos, junto aos leitores, encontrar para cada um dos campos de trabalho do Vox Populi, o Político, o Social, o Econômico e o Ambiental, soluções criativas e cabíveis para solucionar as mais diversas dificuldades que esses apresentarem.

Como lema de ação, temos a seguinte frase do pensador francês Jean-Paul Sartre: "O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”.

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Em um futuro não muito distante, os humanos tiveram suas mentes aprisionadas em uma realidade vir- tual, a Matrix, após a guerra contra as máquinas. Morpheus e a tripulação de sua nave, a Nabuco- donosor, buscam desesperadamente o messias que, segunda uma profecia, poderá salvar a espécie humana.

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